COELET (Roberto Diamanso)
Antes que não tenha rima
A imensa lida
Antes que saias a perguntar nas avenidas:
"Cadê lua, cadê a tua luz amiga?
Cadê, cadê você querida?"
Antes que venha aquela atrevida
Tomar tudo debalde
Antes que seja tarde
Antes que venham venham aqueles dias
Em que digas:
- Não tenho mais prazer na vida!
A vida furta-cor
Furta sabor
E rouba melodia
Antes que se parta
O copo de ouro
E se despedace o cântaro
E a roda junto ao poço:
Lembra-te do teu Criador
Enquanto és moço.
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Antes que não tenha rima
A imensa lida
Antes que saias a perguntar nas avenidas:
"Cadê lua, cadê a tua luz amiga?
Cadê, cadê você querida?"
Antes que venha aquela atrevida
Tomar tudo debalde
Antes que seja tarde
Antes que venham venham aqueles dias
Em que digas:
- Não tenho mais prazer na vida!
A vida furta-cor
Furta sabor
E rouba melodia
Antes que se parta
O copo de ouro
E se despedace o cântaro
E a roda junto ao poço:
Lembra-te do teu Criador
Enquanto és moço.
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A Atrevida ronda a gente, às vezes demora pra aparecer, mas ela anda por aí. A Morte existe na dimensão temporal em que nós, humanos e criaturas, vivemos. A Morte tem prazo, tem data, tem história, tem data de validade.
A nossa alma, porém, contém muito daquele senso de não-tempo que é marca registrada do Criador. A cronologia impõe impressões de distância, mas a nossa alma apenas precisa de um estimulo pra viajar no Tempo, essa ilusão, esse líquido aminiótico que sustenta nossa percepção de segurança e existência. O estímulo que me faz viajar no Tempo, passado e futuro, é confrontar a própria Atrevida.
Hoje partiu a irmã mais velha do meu pai. Num átimo, revivi a cena de há 31 anos: eu pequeno, inconformado, ao lado do caixão do meu pai, entendendo muito bem o que se passava porém sem ter noção do que isso significaria. Na mesma cena de 1978 eu vejo a mim mesmo num certo futuro, ladeando outros mortos que ainda tombarão perto de mim.
Nada mudou: na frente dela, dessa Atrevida, ainda sou pequeno e sinto frio, estou emburrado, não derramo uma lágrima, e deito um olho desconfiado na postura desses vivos, insensíveis e interesseiros.
Pisquei, e voltei pra cá, um escritório cheio de gente: estou digitando e motejando dela, a Morte... ainda vou encontrar todos esses que me foram tomados. Li nas minhas mãos que sou eterno.
A nossa alma, porém, contém muito daquele senso de não-tempo que é marca registrada do Criador. A cronologia impõe impressões de distância, mas a nossa alma apenas precisa de um estimulo pra viajar no Tempo, essa ilusão, esse líquido aminiótico que sustenta nossa percepção de segurança e existência. O estímulo que me faz viajar no Tempo, passado e futuro, é confrontar a própria Atrevida.
Hoje partiu a irmã mais velha do meu pai. Num átimo, revivi a cena de há 31 anos: eu pequeno, inconformado, ao lado do caixão do meu pai, entendendo muito bem o que se passava porém sem ter noção do que isso significaria. Na mesma cena de 1978 eu vejo a mim mesmo num certo futuro, ladeando outros mortos que ainda tombarão perto de mim.
Nada mudou: na frente dela, dessa Atrevida, ainda sou pequeno e sinto frio, estou emburrado, não derramo uma lágrima, e deito um olho desconfiado na postura desses vivos, insensíveis e interesseiros.
Pisquei, e voltei pra cá, um escritório cheio de gente: estou digitando e motejando dela, a Morte... ainda vou encontrar todos esses que me foram tomados. Li nas minhas mãos que sou eterno.
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