segunda-feira, 6 de julho de 2009

Fui de violão na mão

Dizem que cada coisa tem sua própria velocidade, e assim existem para que cada uma cumpra seu papel nesse mundo... cada coisa a seu tempo, no seu ritmo e tals. Filosofia oriental, apologia à paciência, contra os conceitos ocidentais da pressa e da eficiência no tempo.
Sensacional, gostei: e como se eu fosse um velho rabino ou um sábio chinês, uma espécie de Moisés tupiniquim de pensamentos megalomaníacos e baixíssima autoestima, andei tomando decisões tais que, sem querer, fazem divisões na minha vida: 40, 40, 40. Quero morrer feliz e satisfeito por volta dos 120 anos de idade.
Agora eu tenho quase 40 e tomei a mais radical decisão da minha vida: rompimento radical com o status quo.
Minha esposa me disse que desde que ela me conhece eu sou um tipinho encrenqueiro... eu prefiro dizer que tentei mudar o mundo muitas vezes durante os primeiro ciclo de 40 anos da minha vida. Contrariando a frase feita do "água mole em pedra dura", tanto tentei que acabei me queimando. Tanto tentei sutilmente (ou nem tanto) melhorar as coisas, que no final disse o que tinha de ser dito com todas as letras, sem rodeios, sem eufemismos, e tomei uma porta na cara (ou um chute no traseiro, sei lá).

As lideranças eclesiásticas presbiterianas existem para manter o status quo - delas mesmas, que fique bem claro. Em algumas comunidades, como na que eu frequentei por quase 40 anos, esse status quo ganha vida na forma de manutenção do poder nas mãos da mesma liderança à zentos anos, sem alteração. Com acertos e erros, obviamente, mas uma liderança viciada nela mesma. Eu teria ousado confrontar isso, questionar a capacidade e competência de tal liderança. Agora, perto dos quarenta... simplesmente queria gerar um debate pra ver se tem alguma coisa meio errada. Consegui apenas ser persona non grata, falando sozinho feito uma velha rabugenta, desses tipos esquisitos que incomodam. Olhei do lado e não tinha ninguém lá pra segurar minha onda...

Enfim, meu primeiro ciclo de 40 chegou ao fim, com a saída da comunidade presbiteriana da qual fiz parte tanto tempo. É engraçado, porque deveria ser algo triste, mas pra mim não é, para a liderança também não vai ser - darão graças a Deus. Como Moisés, agora começa um novo período, no exílio, de preparo pessoal pra alguma coisa que talvez eu venha a servir mais tarde. Violão na mão, vamos aí.

1 comentários:

Fê Lopes disse...

Bom, concordo com a dé...vc sempre foi um tipinho encreiqueiro! rs Saiba que prá muita gente, inclusive prá mim, vc fará falta! Mas estamos por ai, né? Deus abençoe vcs nessa nova etapa! bjoks