"Você já pensou como nossa vida seria barata e sem sentido se a gente soubesse que não ia morrer nunca? Quando muito moço, eu me sentia como uma personagem que tinha entrado por engano numa peça a cujo elenco não pertencia. Eu me movia num palco estranho sem ter idéia do meu papel, e tudo a meu redor parecia impreciso, absurdo e relativo. Um dia, mais velho, decidi olhar a morte cara a cara ou, melhor, cara a caveira, e daí por diante passei a me sentir uma pessoa, um indivíduo real, concreto, pertinente, e até cheguei a pensar com saudável petulância: se a morte é a única coisa absoluta da vida, por que não hei de fazer da minha existência também um fato absoluto?"
Trecho do livro "Incidente em Antares", de Erico Veríssimo (no cap.80 da segunda parte).
segunda-feira, 13 de julho de 2009
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